Maria Teresa, 4 anos e muitos aprendizados

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Minha princesa!

Um ano muito doido se passou. O Pablo nasceu, nós fomos para San Diego, montamos uma casa, passeamos bastante, conhecemos pessoas e lugares novos, falamos inglês. Nossa casa em Brasília passou por reforma, e um furto-rombo. Desmontamos a casa, voltamos para Brasília, voltei a trabalhar (três dias depois), o Dani com mil tarefas do doutorado para cumprir, se torna professor substituto da UnB. Eu com mil coberturas (Copa e Eleições entre elas, é, ainda não acabou, escrevo post de madrugada, com baixa frequência) e mil planejamentos. E no meio de tudo isso, uma criança.

Uma criança feliz, tranquila, sorridente, sociável. Uma criança ansiosa, com dificuldades de dividir, perfeccionista. Se vê num mundo totalmente novo: língua, casa, escola, igreja, cidade, estado, país, irmão, pais que não podem dar tanta atenção. Tudo novo. E sem nenhum amigo. Que seria difícil adaptar lá todo mundo sabia. E ela se adaptou. Tanto que não queria voltar. Tanto que fala desde que voltamos em ir morar em San Diego. Eu digo que eu e o pai dela não temos planos. Ela diz que vai sozinha.

- Só quando você tiver 18 anos, filha.

E ela acha que isso é ano que vem.

- Quando eu tiver 18 anos, eu não vou mais usar fralda. Quando eu tiver 18 anos, eu vou saber ler. #SabeDeNadaInocente!

Agora, a contar pela saudade que ela tinha dos amigos, da família, da babá, da escola, da igreja, a gente imaginou que a volta seria mais fácil. Não foi. Voltar foi difícil pacas pra Tetê. Foi tão difícil quanto ir, eu acho. A adaptação na volta demorou tanto quanto na ida: 3 meses. Foram três meses chorando na mesma escola da qual ela morria de saudades, com as amigas das quais ela falava todo-santo-dia. Essa eu não esperava. “Mamãe precisa trabalhar”, “mamãe gosta de trabalhar”, “eu é que queria ter um lugar assim legal pros adultos, mas só criança pode ficar na escola”. Ao que ela me responde:

- Mamãe, o seu trabalho não tem parquinho? Vou pedir pro Papai do Céu te dar um trabalho com parquinho!

E no outro dia, o mesmo para um trabalho com piscina. Nesse calor de meu Deus, seria uma ótima. Mas acho que ainda não inventaram um computador que pode molhar. Soube esses dias que celular já tem.

Por um milagre, o Pablo ficou bem tranquilo na adaptação na escola. Aí eu ia dar mamá pra ele todo dia e não era pra avisar a Tetê. Aí ela chorou tanto que resolveram ligar na minha casa. Aí meu marido disse que eu tava dentro da escola. Aí ela foi me ver e, em três dias, acabou o segredo. Hahahaha. Aí eu ia amamentar e ficar com os dois filhos. Ainda vou, há seis meses, quase sempre (flexibilizei pela primeira vez pra ver o jogo da Copa). Uma delícia no meio do meu dia.

A Maria Teresa chorava de manhã e de tarde. Era tenso e estressante. Graças a Deus, o Pablo não deu nenhum trabalho pra adaptar. Aí eu ia embora e a Tetê parava de chorar. Mas na apresentação de Dia das Mães ela não quis cantar (nem o sooool, nem o maaaaar, nem o briiilho, das estreeeeelas). Ficou chorando no meu colo. Nem na festa junina.Ela sentia saudade de mim, queria ficar comigo, não queria por o uniforme. Como é que a gente explica que San Diego foi só um sabático-cansativo nas nossas vidas, que a realidade era diferente?

E a gente trabalhando o slogan da escola, “lugar de gente feliz”, no coração dela. Até que um dia o Pablo chorou. E ela já ia chorando também.

- Ah não, Tetê, o Pablo já chorou hoje, você não vai chorar também, né?! É muito pro coração de uma mãe!

Aparentemente, meu apelo funcionou. Aos poucos, nos primeiros dias de julho, ela resolveu ficar feliz na escola. Graças a Deus. E consequentemente, a felicidade foi contagiando toda a vida da Tetê. Ela voltou a ser a Teresa de antes, sociável, cheia de amigos, cheia de histórias, feliz. Ufa. Até anima as aulas de inglês na escola… (sim, continuamos praticando o inglês!)

Tetê passou a brincar mais com o Pablo, e como eles se divertem junto! Ele admira absolutamente tudo na irmã! Acorda chamando a irmã, ajuda a passar creme na Teresa, adora brincar com tudo dela, roupas, acessórios, sapatos, brinquedos… (de um jeito um pouco diferente, digamos… as bonecas são atiradas contra objetos com força… cada vez que pega uma tiara, quase quebra… haja talento pra ensinar o bichinho a ficar menos bruto… e pra fazer a Tetê compartilhar… rsrs). Adora Peppa Pig, como ela! Aprendeu a cantar “peeeeta ig!”

Tetê ficou mais generosa. Empresta as coisas, compartilha até comida — ainda que um pouco a contragosto às vezes. A última moda por aqui é eles compartilharem iogurte.

Aí a gente fez uma festa conjunta pra eles, em São Paulo, né? A Teresa queria uma festa de Branca de Neve. Queria que o Pablo fosse príncipe.

- Tetê, tem que ser tema de menina e menino — disse eu. Ainda mais que era o um ano do bebê.

- Ah! Já sei! Faz de Carros, mamãe!

E era verdade, ela estava convicta.Aliás, depois da festa em São Paulo, começou o cumprimento das promessas para os quatro anos. Largou a fralda e a mamadeira, assim, um dia depois da festa. E começou a comer legumes, também. E usar uniforme sem outra roupa por baixo (hahaha! tudo era conjunto por aqui, e com apelido: roupa preta Monster Hig com boneca e tiara do mesmo tema; o laranja era da Mônica; tinha o da Monster High, o da Maria Bonita, o da Flor, o da Tetê roxinho, escrito Tetê). Tudo o que ela prometeu, ela cumpriu. Muito linda e responsável. E com isso, também ganhou o combinado: um patinete e o direito de dormir na casa da tia so-zi-nha.

E na escola, a festa foi festa de Branca de Neve, como desejado. Com a irmã Carol, que aniversaria no mesmo mês. Por falar em neve, Tetê voltou de San Diego com um sonho de conhecer a neve. Ela fala nisso to-da-se-ma-na. Acreditam?!

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Turma da pesada!

Esta semana, tive uma prova muito concreta de que ela está grande. Eu tinha reservado uma folga no meu trabalho, pra tirar se desse no dia do aniversário da Tetê (eu disse se desse, porque é véspera de eleições, né? Me contentaria com sair uma horinha mais cedo que fosse…).

- Tetê, a mamãe pode te buscar mais cedo na escola, se você quiser. Aí a gente vai passear só nós duas.

Ela me olha contrariada:

- Ah não, mãe! Eu quero passar o meu aniversário com minhas amigas!

- Você não quer sair nem um pouco mais cedo? Nesse dia a gente pode! Se você quiser, podemos ficar eu, você e o Pablo.

- Não, mãe. Não. Se você quiser, chama o Pablo pra ir com você. Mas eu não quero. Quero ficar com minhas amigas.

Hahahahaha. Aguentam essa?!

E agora:

- Mamãe, meus amigos do integal ainda não comemoraram meu aniversário. Leva pelo menos uma pipoquinha pra eles?!
Hahaha

#vaitrabalharmamãe.

Me senti preterida? Não, de jeito nenhum. Fiquei foi cheia de orgulho. Orgulho de ter uma filha que cresceu tanto em um ano. Que perdeu seus últimos traços de bebê (quer dizer, penúltimos… ela ainda aceita um colinho…). Que cuida de si e quer ganhar o mundo. Igual uma pessoa que eu conheço, ou melhor, duas. Eu e o Dani. Hahaha.

Tenho muito orgulho de você, Tetê. Tenho aprendido de um amor indescritível que é a maternidade, desde que você nasceu. Tenho orgulho da sua força e da sua capacidade de superação. Desde que você nasceu. Aliás, me sinto muito privilegiada de, entre 7 bilhões de pessoas que existem, eu ter o privilégio de formar família com três pessoas tão fantásticas. Muito amor e alegria para você, minha filha. Te amo mais do que qualquer palavra pode descrever.

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Pablo, um ano: cadê o bebê?

Pablinho está completando um ano. E mais seis meses se passaram até que eu conseguisse contar mais novidades do bebê. Quer dizer, praticamente uma criança, né?

11 meses: escalando o brinquedo de latas do CCBB Brasília

11 meses: escalando o brinquedo de latas do CCBB Brasília

Com seis meses, começou a comer as quatro refeições por dia. E declarou que não é mais um bebê. Rejeitou a papinha, quis comida inteira, em pedaços grandes, comer com a mão dele. É o famoso Baby Led Weaning (BLW), que eu acabei conhecendo na prática. O bebê come o quanto quer, com sua mão. E não, ele não engasga comendo desse jeito. Assim que ele fez seis meses, atacou (sim, eu disse atacou) a comida da Teresa e rejeitou amplamente os amassadinhos que estavam no prato dele.

Com os mesmos seis meses, disparou a engatinhar pela casa — ainda devagarinho, mas constantemente. Os seis meses do Pablo foram aqueles do desmonte da casa de San Diego, e o Pablo foi, de certa forma, um grande parceiro. Quer dizer, como ele estava muito — muito! — apegado a mim, e eu estava desmontando a casa, ele ficava sempre junto. Um pouco longe da poeira, quero dizer. E eu sempre o encontrava em um lugar diferente do que deixei.

6 meses: baby led weaning

6 meses: baby led weaning

Ainda com seis meses, ele falou. Com convicção. Falou “vovo” — assim, sem acento, porque falou pros vovôs e pras vovós. Foi praticamente um mês cercado de avós, somando os últimos dias de San Diego (com meus pais) e os primeiros de Brasília (com minha mãe e depois meus sogros).

E se apaixonou pela brincadeira do Cadê e Achou. Ou Peekaboo, em inglês. Sim, ele brinca nas duas línguas. E agora, com quase um ano, fala: “Tê? Boo!”. Pergunta em português (Cadê?), responde em inglês (Peekaboo), realmente ele pegou a palavra mais marcante de cada língua na brincadeira.

Aí veio a viagem de volta, que eu já contei, né? Foi no dia em que o Pablinho completou sete meses. E depois veio o desmonte das malas.

7 meses: visita a São Paulo e a primeira brincadeira com o primo Timoteo

7 meses: visita a São Paulo e a primeira brincadeira com o primo Timoteo

E em seguida, a escola. Três dias depois que a gente chegou. Isso. É. Eu disse que era uma loucura. Risos. Mas eu queria participar da adaptação dele na escola, pra dizer que eu achava isso uma coisa boa, pra conversar com as professoras. Segundo filho é bem mais fácil de adaptar na escola do que o primeiro.

9 meses: em pé, na festa junina da escola

9 meses: em pé, na festa junina da escola

Inclusive, foi mais fácil adaptar o bebê na escola do que a criança. A Tetê chorou três meses (assunto para o próximo post!). O Pablo só chorou quando a Tetê deu uma trégua. Graças a Deus. Isso significa que… ele teve pouca oportunidade. E pra complementar, tinha ela: a Simone, uma cuidadora que é a verdadeira paixão do Pablo. Isso, assim a mãe já vai desapegando e quando se tornar uma sogra, tudo fica mais fácil. Para vocês verem que eu não estou exagerando, ele sai do meu colo pro dela. E poucas vezes se arrepende. E eu o amo mesmo assim (ou até por isso!).

Na escolinha, o bebê que já era muito desenvolvido disparou. Engatinhou bem rápido. Sentado, apoiado em uma mão só. Lindíssimo. Espertíssimo. Fazia corridas com os amigos em torno da sala do berçário. Percorre o nosso apartamento inteiro com uma rapidez de se ver. Brinca com a irmã de dar gosto no coração de uma mãe e um pai (ainda que a irmã nem sempre corresponda. Risos).

Com oito meses, acelerou o engatinhar. E passou a cantar mais, interagir mais. Um dia, o vejo o Pablinho apontando um dedo pra outra mão. “Meu pintinho amareliiiinho”, canto. Ele morreu de rir! Como quem diz: “minha mãe conhece! Que orgulho”. E isso se repetiu muitas e muitas vezes. Assim como o parabéns. Quando eu falo parabéns por qualquer motivo, ele bate palmas, como se fosse pra cantar. Fofura. E agora, na véspera do aniversário, é todo dia!

Falar mesmo, ele fala pouco. Afinal, a Tetê sempre traduz o que ele quer. Mas ele fala Tetê. Bem cochichadinho, cheio de charme. E fala PAPAI, com a boca bem cheia, bem marcado. Fala “Pabo”, sempre. Mamãe, veja bem, ele fala. Na hora da manha. Aos poucos, foi falando mais. “Aba” (água), neném (e baby, às vezes. Não é fácil ser bilíngue).  E, recente, BO (de bola). Ele é louco por bola. Não sei se é instintivo ou se ele aprendeu com os amigos da escola. Porque aqui em casa, não somos muito viciados. Apesar de que teve a Copa do Mundo, né? Ele adooooora uma bola! Corre atrás, e agora chuta. Mas peraí que ele ainda nem ficou em pé.

9 meses: Copa do Mundo e o torcedorzinho mais animado!

9 meses: Copa do Mundo e o torcedorzinho mais animado!

Pois foi com nove meses que o Pablinho ficou em pé. E não queria mais sentar, nem engatinhar, nem nenhuma das conquistas anteriores. Foi um mês de muita agonia — que se somou à agonia de dois dentinhos lindinhos que nasceram, embaixo, no meio. Com nove meses, veio a Copa do Mundo e muito trabalho pra mamãe. E alguns prazeres também. Como assistir França x Nigéria no estádio Mané Garrincha. Ou seja, #tônacopa . Também foi por isso que eu demorei tanto pra escrever, viu, gente? Tava escrevendo — e trabalhando, de modo geral — demais lá na EBC. Mas valeu. O Pablo adorou a copa. Assistia, torcia, pulava. Sim, eu disse pulava. Sentado mesmo. E descobriu o pula pula. Mas também pulava no chão, mesmo. E torcia muito, pra valer (uh- uh- uh!).

Aí vieram os dez meses e o Pablinho andou. Quer dizer, soltou da nossa mão. E ganhou o mundo. Foi ficando mais danado, sabe? Tudo o que eu imaginei que minha casa já era adaptada para bebês, tudo que eu achei que a Tetê já tinha sido uma criança danada, o Pablo piorou um pouco. A caixa de CDs protegidos foi chacoalhada, e quase que eles quebram. Os tupperwares da cozinha e outros utensílios vivem indo pro chão. E a grade de segurança pra deixar o bebê fora da cozinha? O Pablo ARRANCOU, minha gente! Quem aguenta? Aí ele pega a escova de dente e usa pra mexer a água da privada. E invade os banhos da irmã. E desenrola o papel higiênico. E quer mexer no lixo. Benza Deus, ai meu Deus! Ele caiu da minha cama pela segunda vez, pra me matar de susto — a primeira tinha sido com sete meses. Ele não para quieto!

11 meses: elegante, no casamento do tio Max e tia Ana

11 meses: elegante, no casamento do tio Max e tia Ana

E com os onze meses, ele disparou a correr, picar papel, decidir o caminho por onde eu devo andar (já que às vezes ele não quer soltar minha mão). E escalar cadeiras. Sim. Ele sobe na cadeira como se fosse escada (ele também sobe escada) e depois senta, como se ele não estivesse com o pé onde deveria estar o bumbum. Ah, e ele também adora fazer carinho. Até em objetos. Ele encosta a cabeça assim devagar. Mas às vezes não é tão devagar assim, e a cabeça dele vive cheia de galos. Pelo menos três de cada vez. Quando um some, eu já sei que vem outro tombo. Ele faz carinho na gente, mas parece mesmo é uma porrada. A gente está tentando ensinar, mas o combate é BRUTO!

Nesse período, o Pablo também ficou menos bonzinho. Pra evitar abusos, vale registrar. Agora ele grita se a Tetê arranca um brinquedo da mão dele ou se ele quer um colo (o meu, no caso) que está ocupado pela irmã. É assim mesmo, com isso as coisas vão se equilibrando por aqui. Os dois filhos garantem seu tempo.

Difícil está garantir as nossas costas. Porque um bebê de 11 quilos continua sendo um bebê no sentido de precisar de colo. Ainda bem que cada vez mais ele gosta de andar. Eu fico impressionada como é que o Dani consegue voltar com as duas crianças e suas respectivas mochilas da escola, de táxi, sozinho. Pra mim, este pai é um verdadeiro herói. Mas as nossas costas doem e uma providência deve ser tomada nos próximos tempos. Leia-se atividade física.

Tá aí. O Pabão tá fazendo um ano e, nesse meio ano, como vocês podem perceber, ele se negou a ser bebê. “Sou criança, mamãe”, diria ele. Está sendo uma experiência muito enriquecedora e divertida ser sua mãe (e seu pai, e sua irmã), queridíssimo Pablo. Te amamos. Você tornou a nossa vida muito mais dinâmica — e feliz! — do que era antes.

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Voltamos com tudo!

Quinze dias depois que o tio Fábio, a tia Fernanda e a Flavinha foram embora de San Diego, a vovó Amelia e o vovô Jorge chegaram para ajudar a gente a desmontar a casa — e passear um pouquinho também. Foram os dias mais planejados da minha vida, dado, também, o nível de caos que tínhamos para finalizar. Era passeio pra fazer (inclusive lugares que a gente ainda não tinha visitado, como a Legoland, que é muito legal!) intercalado com malas para fazer, as despedidas e… as últimas comprinhas, né?

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No meu sonho ideal, quando meus pais chegassem eu estaria pelo menos com algumas malas feitas, pelo menos as de roupas que eu não precisasse mais usar. (Dica pra quem tem que desmontar uma casa e fazer mudança: comece pelas coisas que você precisa continuar usando, como se fosse uma mala de viagem. Porque aí o resto você empacota do jeito que der!). Bom, fato é que eu tentei, antes dos meus pais chegarem. Mas não consegui. Tudo que eu empacotava a Tetê tirava, e ainda tinha o Pablo pra cuidar, as últimas coisas do doutorado sanduíche do Dani pra fazer. Foi um caos! Risos.

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Despedida das professoras da universidade: Alice, Ahyehang e Gwena

Aí, quando eles chegaram, melhorou bastante! Porque eles podiam ajudar com as coisas da rotina da casa, podiam levar as crianças pra passear… Só que tanto a Tetê quanto, principalmente, o Pablo, só queriam saber de ficar pendurados na gente! Principalmente em mim… e eu que tinha bolado uma estratégia para as malas.

Teresa se despedindo dos móveis e da casa. Minha filha é uma gata

Teresa se despedindo dos móveis e da casa. Minha filha é uma gata

Mas nós conseguimos. Trabalhamos noite adentro, devolvemos tudo o que nos emprestaram, doamos o equivalente a umas seis malas grandes de roupas e brinquedos, nos mudamos na última semana pra casa da tia Selih e tio Roger, vendemos as coisas grandes que nenhum dos nossos amigos queriam e empacotamos o resto. Exatamente mais 9 malas (8 de 32 kg e uma de 23 kg, pagando uma mala extra apenas — minha mãe levou uma; lembrem-se que meu cunhado tinha levado outras 3) e 5 bagagens de mão  (sendo que uma foi com minha mãe), mais o carrinho, a cadeirinha do Pablo, o anexo do carrinho e as nossas bolsas. :-)

Foi duro sair de San Diego tão carregados. Foi duro fazer a viagem assim. E foi ótimo chegar em casa e ser recebidos pelos amigos! A Anna e o Kameoka nos buscaram no aeroporto com nosso carro, e o Marcelo e a Rosa com o caminhão que levou as malas. Chegamos em casa e fomos recepcionados, com a casa reformada, pela Clara e Daniel com Davi e Mateus e pela Rosana e Davi com Joana, Marília e Berenice. Foi ótimo para a Tetê se empolgar com a volta!

Despedida da tia Hilse, tia Selih, tio Roger

Despedida da tia Hilse, tia Selih, tio Roger

Três dias depois eu voltei ao trabalho, um dia antes as crianças voltaram pra escola, mas isso tudo já é assunto pra outro post!

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Um mês muito intenso! (Pablinho, seis meses, #tovoltando)

Rumo aos 6 meses!

Filho! Não acredito que já se passaram seis meses! Por outro lado, meus braços dizem que já se passaram muito mais!

Engatinhou para trás pela primeira vez!

É lindo ver você tão grande (acabamos de perder o guarda-roupa de tamanho 18 meses… ai ai), forte (temos que tomar cuidado, senão a gente leva cada porrada… puxão de cabelo…), saudável, querido.

Com esses seus cinco meses, de um dia pro outro você estava batendo palmas e acenando! Isso foi exatamente no dia 10 de fevereiro. Incrível que você reconhece as palavras pra acenar e bater palmas em português e inglês. Contei pro pediatra americano e ele disse que essas são coisas de se fazer com um ano! A Tetê fez essas coisas com 7 pra 8 meses e já tinha sido bom!

E depois, exatamente no dia 19, aniversário da tia Helô, na presença do tio Fábio, tia Fernanda e Flavinha, você engatinhou aqui em casa! Você está bem avançado na arte de sentar sem apoio, desde o mês passado adora pular e… vai pulando sentado pra frente, pros lados… se joga pra frente e engatinha pra trás! Ficar parado não é com você.

Princesas na DisneyVoltamos à Disney esse mês, pra levar sua prima. Você já não é aquele bebezinho que só dorme. Ficou interessado por várias atrações, principalmente pelos desfiles! Quem diria?! Meu bebê! Ah. E você adora o Mickey e companhia. Também, pudera. Com sua irmã e sua prima andando com ele pra lá e pra cá (elas preferem a Minnie, na verdade), e com aquele nariz gostoso de morder que ele tem…

Foi muito legal ter a família Galvani-Hora aqui com a gente. A Flavinha, com 1 ano e 10 meses, te fez muita companhia. Ela ama você demais! Ela fez muita companhia também pra Tetê, todo mundo brincou muito, e gritou! Ai, coitado do vizinho de cima! Nós adultos bem que nos esforçamos pra reduzir a barulheira… E o pior é que você aprendeu a gritar!

Agora o Pablão já curte um Mickey!

Agora o Pablão já curte um Mickey!

Agora você demonstra claramente que não gosta de ficar sozinho. Ah. Você também não gosta de ficar de costas no carro. Sorte sua que você é grande. Com quase 9 quilos (e 72 cm de comprimento! percentil 98 da curva!), você já pode ir virado pra frente.

Você chegou aos 6 meses já comendo bastante, conhecendo muitos dos legumes, folhas e frutas disponíveis, além do cereal (aveia). Mais um bebê com prisão de ventre na nossa família, ai meus sais! Mas vamos lá! Agora é hora de provar feijão, arroz… o pediatra liberou até carne, mas essa vai ficar pro Brasil.

Você também é louco por mamadeira. Mas essa aí a gente usa com moderação, né? Só quando precisa! E tem precisado menos, porque desde que o tio Fabio e a tia Fernanda chegaram, a Tetê está de férias.

Teresa, Quinn, Maddy and Adam no Valentine’s Day

Tiramos a Teresa da escola, no dia da amizade (a festa do Valentine’s Day foi em 13 de fevereiro, na verdade). Foi bem bonita a despedida, com a troca de presentes típica do dia, e um pãozinho de queijo pra dar as saudades do Brasil.

Agora, estamos preparando a volta… Tio Fábio e tia Fernanda já levaram 3 malas, eu estou empacotando tudo o que posso, vendendo umas coisas… Vovô Jorge e vovó Amelia estão vindo aí pra ajudar a fechar a casa (sim! agora temos que desfazer tudo o que fizemos!), fazer malas e picar a mula. Chegando lá, já sabemos onde vocês vão estudar (a mesma escola da Tetê de antes), sabemos também que nossa ajudante não volta. Mas com esse estágio daqui, provavelmente a gente ficou mais prático para dar conta de tudo! A ver…

Estou preparando também o meu coração pra voltar a trabalhar. Vovó Amelia disse que não vai ser mais fácil pelo fato de eu já saber como é. Estou começando a acreditar (ou: praga de mãe pega!). Eu gosto do meu trabalho, isso torna as coisas um pouco mais fáceis (ou menos difíceis…). Amo você, Pablinho. E a Tetê, e o papai. Está sendo muito bom estar junto com vocês.

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Teresa: histórias para guardar (de 2013)

Viradinha de cabeça é o charme (inter)nacional!

Viradinha de cabeça é o charme (inter)nacional!

Bom, como ainda não acabou o carnaval, dá tempo de fazer uma pequena retrospectiva de histórias da Tetê em 2013. Esse post é uma coleção de lindezas que eu ainda lembro e quero guardar para a vida.

Ajudante

Quando ainda estávamos em Brasília,  Tetê já gostava de ajudar: lavar louça,  colocar na máquina, pendurar roupas… teve um dia em que ela ajudou tanto minha mãe que falou: agora chega, vovó. “Criança não trabalha,  criança dá trabalho!” – cantando a música da Palavra Cantada.

Já aqui em San Diego, num outro grau de serviço doméstico,  um dia ela perguntou por que temos que limpar a casa e eu respondi: porque aqui é como se fosse o nosso castelo. Agora ela não pode me ver limpando que quer limpar também.  Pra dizer a verdade, ela me ajuda bastante passando pano nos móveis e no chão e varrendo. Até com o aspirador ela me ajuda! Coloca o fone de ouvido e vai tirando as coisas pra lá e pra cá!

Teóloga

Tetê me perguntou como que o Papai do Céu podia, ao mesmo tempo, estar com a gente e com nossa família no Brasil. Eu fui explicando aos poucos a onipresença de Deus, até pra ela parar de gritar “estou sozinha” quando estamos fora do seu campo de visão.

Um dia, estávamos na casa de uns amigos,  que tem 2 banheiros, e ela sabia disso. Aí eu a levo no banheiro, e ela começa a demorar:

- Tetê, vai logo, mamãe tá apertada.
– Não,  mãe,  vai no outro banheiro. Você vai com Deus e eu fico com Jesus!

(Fofa!)

Mãe de brincadeira

Desde que eu fiquei grávida,  todos os temas relacionados são motivos de brincadeiras.

Primeiro, a boneca Glaucinha tava na barriga dela. Depois ela nasceu, ficou inclusive ensanguentada de canetinha vermelha. Aprendeu a mamar, a sorrir, a sentar, a comer. Tudo junto com o irmão.

Ainda durante a gravidez, ela falava que o Pablo estava na minha barriga e a Uniqua na dela (ou a Tasha, ou o Tyrone…). Expliquei bastante que o Pablo que estava na minha barriga não era o dos Backyardigans, pra evitar maiores frustrações…

Quando ele nasceu, foram muitas visitas a médicos,  aí nós brincamos de doutora.  Ela é a médica e eu, a paciente.

No Natal, ela ganhou uma boneca bebê, a Sessé, herança da tia Selih; uma boneca que anda, a Lili; e dois carrinhos de supermercado. Agora a brincadeira vai ganhando mais ares de vida real: compras, broncas, passeios, brincadeiras e interação entre os irmãos.  Teresa inventa a história toda e, finalmente,  gosta de brincar sozinha.

Eu sou a vovó (Amelia ou Luiza, muito raro eu poder ser vovó Lidia). O Dani é o papai ou o vovô. E o Pablo é respectivamente o titio ou o papai. Ah, e às vezes o filhinho. Principalmente quando ela vê oportunidade de dar comida, banho ou trocar a fralda dele!

Às vezes também as princesas são mamães ou filhinhas. Atualmente, 80% das vezes em que ela fala a palavra “mamãe”, não é comigo. E ela ainda acha um absurdo eu responder!

Mais fantasias

A gente brinca de princesa. Ela é a Branca de Neve (veste a roupa todo dia!), eu sou a Cinderela.  O Dani é o meu príncipe,  o Pablo é o dela (futura nora, corrigiremos isso no tempo oportuno! )

Fantasia de borboleta, amiga da Dora Aventureira. Até pra andar de bicicleta tem que ser de fantasia!

Fantasia de borboleta, amiga da Dora Aventureira. Até pra andar de bicicleta tem que ser de fantasia!

Ela é a Chapeuzinho Vermelho, eu sou a vovozinha, o  Dani é o lobo e o Pablo, o caçador.

Teresa é a Sandra da Palavra Cantada. Pablo e Dani são o Paulo. Eu sou a Julia Pittier ou as crianças.  Vovó Amelia também é Sandra.

Temos que interagir com a história certa pra dar comida, brincar, dar banho, guardar os brinquedos,  colocar pra dormir… hehehe

Ah, importante citar: a mania de roupas acompanha… roupas. Fantasias mil, de verdade, inventadas, muito lindas.
Generosa

Estava difícil ensinar pra Tetê a compartilhar. Aí um dia eu falei pra ela pedir ajuda pro Papai do Céu,  porque ela não estava querendo compartilhar com uma das melhores amigas,  aí não tem condições… Funcionou super bem, além do esperado, como vocês verão a seguir.

Um dia, ainda em Brasília, vêm uns amiguinhos visitar o Pablo e brincar com a Teresa. Aí um deles não compartilhou o brinquedo.  Em vez de chorar e espernear (como de costume), ela simplesmente chega até mim e fala: “mãe,  Papai do Céu não tá ajudando Fulaninho a compartilhar. Você pede  ajuda pra ele?”(Amor!)

Ainda sobre generosidade: expliquei pra Tetê que se o Papai do Céu deu muitos brinquedos pra ela, é porque ela compartilha. Se ela não dividir, vamos dar uns brinquedos e ela vai ganhar menos… (mas no dia a dia essa ainda é uma questão: ela quer compartilhar o que quiser, não necessariamente o que a outra criança está interessada… a luta continua…).

Internacional

Com seis horas de fuso horário em relação ao Brasil,  foi necessário explicar o conceito de diferenças horárias para a criança.  Tipo assim, não pode ligar pra vovó de noite, porque é madrugada no Brasil.

Isso ajudou a explicar outro conceito: o de dia e noite. Especialmente importante para uma menina noturna, mas que sabe que à noite é hora de dormir. E especialmente complicado num lugar em que escurece às 17h, ou seja, não é hora de dormir assim que escurece!

- pai, por que tá de noite?- porque o sol foi embora- e por que ele foi embora? Grande sacada do Dani:- porque ele foi pra terra da Ahyehang (professora sul-coreana do playgroup da universidade).

Faladora

2013 foi o ano em que a Tetê disparou a falar parágrafos inteiros.  Em português,  quero dizer. Em inglês ela também fala, com palavras inventadas para fazer companhia à parte do idioma que ela domina. Agora, já são histórias completas,  de vários parágrafos,  quiçás páginas e mais páginas.  Hehehe

Tem aqueles errinhos – e certos acertos – que tornam ainda mais especial criar uma garotinha de 3 anos. O meu favorito é “eu querisse”: “mamãe,  eu querisse que você fosse comigo!”- futuro do subjuntivo e imperativo:ela fala “me ajude,  mãe” e “eu quero que você me ajude”. “Acenda”a luz, “compre”, etc. É como se estivesse usando o “tu” e o “você”, junto e misturado. Ah! Também tem o “envugada”, que é uma lindeza:

- Tetê, sai do banho!
Ela olha pro dedo: – Minha mão tá envugada? Ah, tá! Então eu posso sair.

E tem aqueles bem normais mas que é muito legal de ouvir: mánica, tevelisão… Adoro.

Cadê? Tá aqui

Vocês acham que ela brinca de cadê e achou? Até brinca, mas não é sobre isso que eu quero falar. Teresa tem uma memória incrível para lembrar de objetos desaparecidos: aqueles que ficaram em Brasília, que já foram embora, que já demos, que não vemos faz tempo. E quando quer algo, não sossega até a gente achar.

Agora, vai perguntar pra ela onde está qualquer coisa?! Ela aponta para o lugar onde o dedo dela achar conveniente, aleatoriamente, e diz: “tá aqui”! Com a maior cara lavada do mundo.

Esperta

Não é porque é minha filha, não, ou é exatamente por isso, hehe, mas eu acho a Tetê muito esperta. Só mais uma história: quando ela apronta alguma, geralmente nossa primeira medida é conversar sério com ela. Pois bem, desde que chegamos aqui, ela já vai aprontando, olha pra gente com a cara mais séria que ela sabe fazer e fala: “não, eu não quero conversar sério! Não é falar sério!” kkkk, e a gente nem pode rir!

Também é engraçado quando ela aprende alguma coisa nova, ou fala alguma coisa muito de adulto (aqui, a língua do nhé-nhé foi introduzida pela Tetê, com o Pablo), a gente pergunta onde ela aprendeu, e a resposta é: “eu sou espéta, mãe!”

Bom, só posso dizer que é uma delícia ser pais da Tetê e que vamos sentir saudades desta fase linda e desse intensivão de convívio!

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Pablinho: 5 meses de muito amor!

Pablinho arrasando nos parquinhos de San Diego

Pablinho arrasando nos parquinhos de San Diego

Filho,

Parece mentira que já se passaram 5 meses! Você é uma delícia que veio completar nossas vidas!

Neste último mês, vimos você:

- ficar sentado, brincando, por longos períodos. E se jogar pra frente, ou pro lado, quando quer alcançar algo

- fazer não com a cabeça, e tornar isso uma linda brincadeira

- pular no nosso colo – e do nosso colo – com uma força impressionante, de doer o braço!

- exigir comida e finalmente fazer a introdução alimentar

- e atacar nossos pratos e copos! O mais chocante foi quando você arrancou um pedaço de pão do meu hambúrguer!

- ficar sem a mamãe, só com o papai, por algumas horas.

- brincar muito com a Tetê! Inclusive no parquinho!

- se interessar pelos eletrônicos (não, não, não! Muito cedo!)

- morrer de cócegas: no nariz, na barriga, embaixo do braço! Amamos sua risada!

- falar inglês! Agora, além de “mãe”, “não” e “é”, você fala “hi!”

- mostrar que você não é um santo, e sim uma pessoa, com suas necessidades, e algumas reclamações. Poucas, é verdade!

E o crescimento desenfreado diminuiu por aqui. Ganhamos apenas alguns gramas, você está com 8,5 kg. Como ficou mais firme, parece até que ficou mais leve!

Te amamos demais!

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A aventura sob o olhar da Teresa: irmã e bilíngue

Já se passaram três meses e meio da nossa aventura na Califórnia. Para ser mais precisa, a metade da viagem aconteceu no dia 20 de dezembro, meu aniversário. Como você pode imaginar, tem uma dúzia de posts que eu gostaria de escrever, todos recheados de fotos e vídeos, mas a realidade é dura e a gente posta é de madrugada mesmo, então, aceite esse post como se fossem outros 12!

Estamos bem por aqui. Pablo continua crescendo bem, desenvolvendo fantasticamente. Estava louco por comida e então a gente voltou a tentar introduzir a alimentação, aos 4 meses e meio — o que foi bastante conveniente para a nossa família, pois assim ele pode ficar mais com o Dani e eu saio mais com a Tetê. Agora — e até os 6 meses — serão 2 refeições por dia: de manhã, mingau de aveia, leite materno e fruta; à tarde (17h), legumes. Já provou banana, morango, maçã, ameixa, batata doce vermelha, abóbora spaguetti, couve, espinafre, salsinha… e ataca minhas comidas de vez em quando. Por exemplo: meu hamburguer. Acabou comendo um pedaço do pão.

O Pablo adora brincar com a Teresa, principalmente de balão. Mas também de brinquedos dele, bonecas dela, qualquer coisa que pintar pela frente. Adora ir no colo da irmã, brinca de mamar nela, conversa com ela. Uma loucura. Eu fico achando que ser irmã é algo melhor do que minha memória alcança.

Mas não foi sempre assim, não. Na verdade, no começo (e principalmente depois que minha mãe foi embora), a Tetê estava meio ogra com o Pablo. Sempre queria pular na cama quando ele estava (de preferência, bem perto da cabeça dele) e era só a gente falar pra ela não fazer uma coisa que ela ia lá e fazia. Foi duro. Mas a gente foi conversando, brigando, demonstrando amor, conversando sobre o que ela estava sentindo…. Tentando também organizar a vida dela pra ela se sentir mais segura… e a coisa foi melhorando.

É muito amor! (Pablão com 4 meses e uma semana)

É muito amor! (Pablão com 4 meses e uma semana)

Na medida em que o Pablo começou a interagir mais, ela foi acreditando no amor dele e a coisa ficou mais interessante por aqui. Agora ela é uma das principais intérpretes do que ele quer, e eu fico imaginando que daqui a pouco eles vão dispensar a mim e o Dani… Ela até falou outro dia: “mamãe, quando eu e o Pabo for gande, vocês podem ficar aqui e a gente vai sair só nós dois, tá bom?”.

Tetê na 17-mile-drive (Pacific Grove)

Tetê na 17-mile-drive (Pacific Grove)

A verdade é que, de todo esse processo de adaptação, quem mais sofreu foi a Tetê. Primeiro, com a chegada do irmão. Segundo, de saudade de Brasília. Ela tem uma memória incrível. Lembra de todos os amigos, fica falando deles, fazendo planos de encontrar. Fica doida pra falar com eles no computador (mandou e recebeu alguns recados por Whatsapp e Skype, ela adora!). Ela lembra também dos brinquedos que ficaram em Brasília (roupa, não ficou quase nenhuma). Ainda bem que eu fiz a mala de brinquedos com ela! Foi ela que escolheu!

E terceiro, ela sofreu bastante também para aprender inglês, especialmente no começo. Deduzi que ela é perfeccionista que nem o Dani. Tentamos, ainda bem Brasília, contratar uma professora particular para ensinar inglês, já que na escola dela eles só ensinam a partir dos 3 anos. Mas só conseguimos um esquema que coincidia com o ballet, e ela estava feliz de ser bailarina, então, como todo mundo falou que seria tranquilo o aprendizado, deixamos para aprender por aqui. No Brasil, ela só ficou sabendo que existia o inglês, e que a mamãe, o papai e a Dora Aventureira falavam inglês.

Bom, ainda quando minha mãe estava aqui em San Diego, no primeiro mês, a Tetê estava sofrendo muito por não conhecer nenhuma criança (“mamãe, quem são meus amigos em San Diego?” — e eu respondia: tia Selih, tio Roger e tia Hilse, os tios-avós da minha amiga que eram nossos únicos conhecidos por aqui). Aí a gente resolveu matricular ela na escola, matriculamos na pré-escola da igreja que frequentamos, para ser uma adaptação só.

A adaptação de verdade começou depois que minha mãe foi embora, porque passeamos pra valer com ela nos últimos dias. Nós achamos que íamos ficar na porta da sala até ela se adaptar, porque a diretora tinha dito que seria ok. Mas a professora achou melhor a gente sair do campo de visão. E a Tetê chorou horrores quando percebeu que não estávamos à vista. Acho que ela chorou demais, porque ficou traumatizada e depois só quis ficar na escola com a gente dentro da sala.

Na verdade, na sala dela, das outras sete crianças, um dos meninos é russo. E a mãe dele fica dentro da sala (traduzindo). E eu acho que a Tetê sacou, e quis a gente lá dentro também. O Dani que estava indo até o final do ano passado, mas agora com o Pablo comendo, eu tiro leite (e ele toma na mamadeira, bico natural pra não confundir com o peito) e vou com a Tetê. Agora a professora quer tirar os pais de dentro da sala, aos poucos. No último dia, a Tetê já ficou uns 50 minutos não consecutivos sem mim (2 choros no meio do caminho, mais a decisão de voltar lá pra dentro).

A gente acha que ela ficou insegura por não saber falar inglês. Chegou a um ponto que ela não queria mais nem ir ao parquinho (até chegamos a encontrar uns brasileiros, mas as meninas eram mais velhas, não quiseram emprestar uma boneca especial pra Tetê, ela ficou complexada por ser pequena).

Mas apesar de tudo isso, ela já aprendeu bastante inglês, e adora. Ela ama assistir a Vila Sésamo e outros desenhos fantásticos, na PBS (TV Pública daqui) e no Sprouts, canal voltado pras crianças.

Mas uma das coisas mais importantes para isso é um playgroup que tem no International Center da universidade (UCSD), com as aulas “Mom and Me”. A gente vai com as crianças, elas interagem com crianças de outros países,  cantam músicas em inglês. São 3 professoras — uma sul-coreana, uma americana e agora tem uma nova, francesa. A Teresa ama a Ayehang, sul-coreana. A Teresa adora ir ao “trabalho” do papai. E foi lá também onde ela conheceu duas amiguinhas, ambas de 6 anos: a Olivia, americana, e a Sofia, brasileira.

Dezembro foi um mês importante na virada da Tetê aqui, inclusive pela presença do Cícero, colega de profissão do Dani do Brasil, e sua família, que virou uma família amiga. Ele veio a trabalho com a esposa, Jane, e os dois filhos, Joca (10 anos) e Cecília (6 anos). Nos encontramos muitas vezes nesse mês, as crianças se adoraram (Pablo inclusive), e nós também adoramos eles. A Tetê ouviu as histórias de adaptação das crianças, acho que ela se sentiu mais amparada, mais pertencente a este lugar chamado San Diego, ou mais especificamente, La Jolla.

Emendamos com meu aniversário; Natal, onde, além de estarmos com a família da Clara, estivemos também com a família da Denise Rosa (que também tem uma filha querida e grande, a Julia, de uns 8 anos), o que ajudou a preencher nossos corações — e mais os presentes da família do Brasil, da de cá, do papai Noel; e ano novo, em que fizemos uma viagem inesquecível para San Francisco (com direito a alguns encontros com a Sofia e sua querida família: Cida, Jonas e os filhos jovens, Tomás e Thales).

Nós e os elefantes do mar em San Simeon

Nós e os elefantes do mar em San Simeon

Além de conhecer San Francisco, fizemos a viagem de carro, pela costa da Califórnia. Visitamos Santa Monica, Santa Bárbara, Cayucos, San Simeon, Big Sur, Carmel, Monterey, Pacific Grove (e a famosa 17-mile-drive), San José. Visitamos aquário, missão, parquinho, parque, praia, museu de criança, biblioteca, castelo, museu de adulto, píer, pôr-do-sol, bichos do mar, restaurantes (muito macarrão e batata frita pra Teresa, numa terra em que quase tudo é picante!). Viramos fãs da Califórnia, esse lugar tão hispânico, tão mexicano das Américas!  E ficamos mais próximos, mais sintonizados, mais preparados para sermos uma família de quatro pessoas. A Teresa voltou da viagem mais segura, falando mais inglês, brincando com as crianças no parquinho, topando o desafio de ficar sem a gente na sala de aula. E agora, às vezes ela diz que não quer voltar pra Brasília. Se tornou cidadã de dois lugares.

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Em viagens prévias, tínhamos explorado bastante Los Angeles, com direito a almoços fantásticos para bolsistas da Fulbright em Malibu e Santa Monica. E tínhamos conhecido a Disney e a Universal Studios. Um mergulho no mundo da fantasia, com encontros, abraços e autógrafos na Minnie, Mickey, Margarida, Donald, Pluto, Dora Aventureira, Shrek… A Tetê foi na Disney vestida de Branca de Neve e, durante o desfile no parque, recebeu acenos e beijos da Branca de Neve original e de todas as princesas! Foi um desbunde! Inesquecível! Eu j-a-m-a-i-s imaginei que poderia ser tão legal para uma criança de 3 anos visitar especialmente a Disney. Mas ela amou.

Nós e a Minnie. Pablo com um mês e meio. Foto preferida da Teresa

Nós e a Minnie. Pablo com um mês e meio. Foto preferida da Teresa

Fora isso, passeamos bastante por San Diego — depois que minha mãe foi embora, os passeios se restringem aos fins de semana ou às visitas ilustres: Sea World, Zoológico, Balboa Park, Children’s Museum. Além do Cícero, Jane e cia., tivemos a Thais Peres, uma amiga da igreja de SP, e em breve teremos 2 visitas da família! Estamos super animados!

E os adultos?

Eu e o Dani ficamos totalmente consumidos por essas coisas da vida que tomam tempo e que muitas vezes não levam a lugar nenhum, mas que é necessário passar por elas: arrumar a casa, limpar, cozinhar. Planos familiares para casos de terremotos (sim, tem isso por aqui…) .Ah, e cuidar das crianças, algo que dá futuro e nos toma o tempo todo. Cada vez mais a Tetê ajuda em todas essas tarefas, e topa que as façamos quando estamos com ela, o que facilita. No começo ela não entendia essa dinâmica.

Também gastamos bastante tempo para entender como algumas coisas funcionam por aqui, acho que a mais difícil é a questão dos planos de saúde. Quando a gente achou que tinha entendido tudo e que o plano estava cobrindo todos os nossos gastos, chega uma fatura de 1.700 dólares pra pagar! O sistema de saúde aqui é realmente muito confuso, complicado… que saudade do Brasil, seja no SUS ou no convênio.

Agora a gente já está mais por dentro das coisas, e com o Pablo maior, nosso foco principal é que o Dani consiga se concentrar nos estudos, o que foi difícil no começo. A experiência tem sido boa para ele fazer contatos, acompanhar umas disciplinas e ter ideias para fazer nas aulas no Brasil.

Da minha parte, meu objetivo principal é apoiar minha família, já que estou de licença maternidade e o Pablo precisa tanto de mim neste momento. Mas com isso bem resolvido, sou muito grata por essa vivência e também pela oportunidade de aprimorar meu inglês. Acho que ganhei uma certa fluência. Mas para ter certeza, estou fazendo umas aulinhas particulares agora, pra tirar umas dúvidas e parar de dar aquela engasgada. Tá sendo bem bacana…

Temos poucos amigos por aqui, na verdade, de americanos, eu tenho só uma amiga que não é da família da Clara! Risos. Isso foi um pouco difícil no começo, aceitar que eu não levaria amizades daqui, mas agora eu já me acostumei. Hehehehe. Tenho amigos brasileiros, essa uma amiga e pronto. Valeu.

Importante dizer também que todos nós ficamos um pouco deprimidos quando o horário de verão acabou por aqui, em novembro, e o sol passou a se por às 17h. Mas essa parte já passou. Nos sentimos extremamente gratos por estar num lugar em que diariamente os termômetros atingem 20 graus celsius positivos, enquanto tem outros lugares embaixo de neve, batendo recordes de frio! Para tirar onda de verdade, nos últimos dias chegamos a 25 graus e fomos até à piscina do condomínio!

Temos alguns micos para contar, mas esses ficarão para um post especial… porque merecem!

Califórnia, um lugar pra enjoar de por do sol! (esse aí foi em Big Sur!)

Califórnia, um lugar pra enjoar de por do sol! (esse aí foi em Big Sur!)

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