O fim que desejei: a história do nascimento do Pablo

“Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que desejais” (Jeremias 29:11)

Na sexta-feira dia 23 de agosto de 2013, o Pablo chegou para completar a nossa família. Nasceu lindo, vermelhinho, com 4,015 quilos e 51 centímetros, enorme, de parto normal, uma história que me dá muita alegria de contar porque mostra a extrema bondade de Deus para conosco.

Nasci lindo desse tanto! (ou: fala que parece comigo?!)

Nasci lindo desse tanto! (ou: fala que parece comigo?!)

Desde que penso em ser mãe, sempre desejei ter o parto o mais natural possível. Sempre disse que me preparava fisicamente para o parto natural e psicologicamente para a cesárea. Acontece que no nascimento da Maria Teresa, valeu mais a preparação psicológica (apesar de que usei vários aprendizados da Yoga, especialmente a respiração, no pós-parto). Como já contei aqui, Tetê precisou nascer com 31 semanas, de cesárea.

Desta vez, fiz tudo de novo para ter a chance de ter um parto normal após cesárea (VBAC): procurei uma médica que me aceitasse nessas condições, conversei sobre minhas expectativas, li livros (recomendo Quando O Corpo Consente e O Parto Ativo), fiz Yoga desde as 14 semanas, procurei me estressar menos nessa gravidez para evitar intercorrências indesejadas… Tudo com apoio do meu marido Daniel, que a princípio seria o Doulo-rido.

Acho que a história desse parto começa lá pra junho, quando percebemos que a qualificação do doutorado do Dani daria mais trabalho que as previsões iniciais, e decidimos procurar uma doula. Comentei com algumas amigas, entre elas a Adriana, que inclusive é pediatra neonatal e me apoiou muito quando a Tetê tava na UTI. E não é que ela se ofereceu para ser minha doula? Pois é, isso foi muito legal e acabou fazendo toda a diferença… como vocês verão a seguir.

Pois bem, com 33 semanas, comecei a sentir as contrações de Braxton Hicks, as de treinamento. Coincidiu com uma semana de férias, uma passagem de bastão parcial no meu trabalho, um desligamento meu do mundo exterior para me conectar mais à casa, à família, à gravidez. Até então, sem saber exatamente quando o Pablo nasceria, mas esperando os sinais. Para quem teve filho com 31 semanas, 33 já era uma grande vitória, mas eu estava disposta a esperar até as 42, se fosse o caso.

39 semanas, 2 dias e... uma voltinha na rua

39 semanas, 2 dias e… uma voltinha na rua

Minha barriga cresceu, e cresceu e cresceu… E fizemos fotos com 36 semanas, a bolsa da maternidade também, enfim, estávamos realmente prontos, esperando os sinais do Pablo para decidir quando eu sairia de folga e quando minha mãe viria para Brasília. Com 37 semanas eu comecei a me sentir especialmente cansada e decidi que tudo aconteceria a partir da semana seguinte. Com 38 semanas + 3 dias, parei de trabalhar e me dediquei a descansar, focar totalmente minhas energias para que o parto pudesse acontecer. Na medida em que a semana foi passando, foi me dando uma ansiedade, querendo que o parto chegasse logo… pra diminuir, comecei a marcar compromissos com amigos, diariamente.

Um belo dia, com 39 semanas e 2 dias e uma pizza marcada para a noite, estava eu na

Estourou! no meio da Yoga!

Estourou! no meio da Yoga!

Yoga, pensando no bebê, quando de repente sinto um líquido quente descendo pelas minhas pernas. “Será xixi?”, pensei. “Não, é muita água! Um pouco espessa! Cheiro diferente!” Abri os olhos e afirmei: “minha bolsa estourou”! Foi muito divertido, porque esse negócio de estourar bolsa não é tão comum como Hollywood nos faz crer. Toda a turma da Yoga de gestantes ficou empolgada junto comigo! Liguei pro marido, pra obstetra, pra doula e esperei as coisas acontecerem. Isso eram 17h30.

Teoricamente, minha mãe poderia buscar minha filha na escola e meu marido viria me buscar. Mas justamente nessa tarde, ela tinha combinado de ir à casa de uma amiga e… o celular estava sem sinal. Então meu marido pegou nossa filha e foi me buscar, cheio de roupas e de toalhas para eu não molhar o carro. Enquanto isso, desmarquei a pizza via whatsapp (e aí os amigos ficaram acompanhando o parto passo a passo!). As contrações começaram uma hora depois de estourar a bolsa, a primeira que eu senti durou 20 minutos. Oi? Contrações só duram 30 segundos!!! Depois elas diminuíram de tempo, ficaram mais normais, digamos assim.

mãe e filha na bola de pilates, em trabalho de parto

“A barriga está dura, mamãe? Então pula na bola!”

Depois de muito procurar o carro no estacionamento (com emoção!) , chegamos em casa (pouco depois da minha mãe), tomamos um caldo e começamos a contar as contrações. Tomei um banho, sentada na bola de pilates, eu e a Tetê quicando na bola. Quando começou a ter um intervalo de cinco minutos, a dra. Jussara Pasquali saiu da casa dela. Pouco depois, saímos da nossa. A Teresa ficou um pouco inconformada com o fato de que eu e o Dani estávamos saindo sem ela, então foi necessário que minha mãe levasse ela pra dar uma volta no outro carro, para ela aceitar ficar. Já tínhamos também combinado com a nossa amiga Anna de dormir na nossa casa, ainda bem, porque isso deixou a Tetê mais animada.

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Vou ali ganhar neném e já volto!

Contração

Contração

Bueno, chegando à Maternidade Brasília, umas 22h, tive uma contração ainda com intervalo de 5 minutos e 4 centímetros de dilatação, com colo alto… Fui preencher a papelada… Fomos pra sala de parto humanizado… Comi (o que eu mais tinha medo era de passar fome no trabalho de parto!)… Bati papo… E as contrações perderam ritmo. Tentei andar (mas como a bolsa estava rota, pediram pra eu parar de circular no centro cirúrgico…), aproveitar a contração pra me jogar pra baixo na barra, quicar na bola de pilates, comer açúcar (melzinho, delícia…), dormir…

Tava só com umas contrações que não doíam intensamente como deveriam, mas que também não terminavam após os 30 segundos. Tipo cólica de adolescente depois do Buscopan. Péssimo. Vomitei horrores também. A médica até decidiu me deixar tomar um banho de chuveiro para ver se engrenava, apesar das expectativas em contrário. Mas não…

Quando deu 4h da manhã, só tinha dilatado mais 1 centímetro e a dra. Jussara me disse que achava melhor me dar um pouco de ocitocina na veia, bem pouquinho mesmo. Tinha um pequeno risco de romper o útero, mas que ela considerava mesmo pequeno e que valia a tentativa (depois eu soube que o fato de minha doula ser também pediatra neonatal a deixou mais tranquila para tomar essa decisão, olha aí como Deus escreve certo por linhas certas!). Acordei o Dani (sim! ele também dormiu durante o trabalho de parto!) e vamos lá!

A enfermeira penou horrores para achar minha veia (roxinho no braço por 10 dias!), chamaram um outro cara que conseguiu me colocar o acesso, aí foi rapidinho. Contração, estica na bola de pilates (estava de joelho na maca), outra, outra, outra… Agora descansa. Bom, aí vem o expulsivo, pensei eu.

A médica me colocou sentada na banqueta, apoiada no Dani, com um travesseiro entre nós. Tão confortável quanto um trabalho de parto expulsivo pode ser. Tratei de relaxar e, quando vinha a contração, empurrava respirando por cima e por baixo, como ensina no livro Quando o Corpo Consente. A contração realmente orientava o trabalho de parto, por isso em momento algum eu quis pedir anestesia! (até cesárea eu quis pedir, mas anestesia não. Aí ficava pensando na Tetê, na recuperação mais fácil do parto normal, e aguentei, não pedi nada!). Sei que ia rolando uma narração de onde tava o Pablo: tá atrás da bexiga! só falta o osso do púbis! Juro que eu queria que arrancassem meus órgãos pro menino nascer logo (mas também não pedi isso! hehehe).

Incrivelmente, durante o trabalho de parto eu fiquei praticamente muda. Todo mundo que me conhece sabe que eu adoro falar — e cantar. Pois eu não tinha nada a falar, e não conseguia cantar nenhuma música. Ainda bem que eu tinha separado uma trilha sonora para o parto. Como essa tinha sido uma ideia recente, tinha apenas 3 músicas:

Pablo – Milton Nascimento
Sabemos Parir – Rosa Zaragoza
Canticorum Jubilo – Handel

E o fato é que, depois de um tempo, eu já não aguentava mais ouvir as mesmas músicas!

Eu ficar muda é algo digno de nota. Acho que aí eu devia estar na chamada partolândia. Eu só pensava. Pensava bastante nas minhas ancestrais, materializadas na minha avó, que teve dois partos normais (sofridos, com fórceps, bebê roxinho, essas coisas, mas que me deu a maior força nas minhas intenções de parir normal). E na minha mãe, que teve três cesáreas necessárias, achava doido eu não querer anestesia, mas também me deu a maior força. E em toda a minha hereditariedade. E na música Sabemos Parir. E no amor que eu tenho pela minha família. E na música Pablo, que eu fui capaz de cantarolar a melodia.

Bom, vamos lá, Pablo! Estamos te esperando! A Tetê tá louca pra te ver! Faz força na contração! Aí rolou um bolão se ele ia nascer antes ou depois das 7h. Isso eram 6h! Eu queria antes, a médica queria depois. Fiz muita força! Eu reclamo mais da força que eu fiz do que da dor que eu senti. Porque a dor foi minha guia! De zero a dez, eu acho que doeu dez. E com a ocitocina, 12. Mas dá pra aguentar. Acho que Deus nos preparou pra isso, mesmo.

Agora vocês acreditam que eu fiz muita força?

Agora vocês acreditam que eu fiz muita força?

Depois da banqueta de parto, fui pra cama, aguentei umas contrações sentada, outras de joelho e apoiada na bola (a bola também foi muito minha amiga!), rebolei um pouco pra ajudar o menino a descer (obrigada Joana Andrade pelos ensinamentos da Yoga!), até que voltei à banqueta. Sou muito grata porque a médica me mudou de posição sempre que achou necessário, evitando a hemorroida e outras consequências!

Chegou uma hora que a médica e a doula me mandaram empurrar, empurrar, empurrar. Parecia que elas já não estavam mais falando pra empurrar na contração. E eu estava já muito cansada, no limite das minhas forças! E então eu empurrei. Empurrei. Empurrei. E aí veio um negócio grande (círculo de fogo? só sei que eu senti que era grande). E a cabeça saiu. E o Pablo saiu. E não tinha nenhuma circular de cordão (ah, é, tinha isso, duas circulares de cordão no ultrassom, nunca me preocupei). E o cordão umbilical durou até o final (na Tetê tinha rolado diástole zero). E eu peguei o Pablo no colo.

Éramos três, agora somos quatro

Éramos três, agora somos quatro

Filho da gente sempre é lindo, né? Meu filho é lindo. E não é a cara da Tetê (e do Dani). É a minha cara, dessa vez! Ele mistura a gente de um jeito diferente, a gente é bom nisso de fazer filho! hihihi. É um amor incrível! E o Dani chorou. Eu não chorei agora, só olhei. E respirei, muito aliviada, muito cansada. O cordão umbilical parou de pulsar, e o Dani cortou (ele não queria cortar! Mas na hora, a emoção, sabe como é!).  E eu fui pra cama. E o Pablo mamou. Aí eu chorei! Claro, porque amamentação foi uma mega questão da Tetê!

Aí ele mamou. Aí eu chorei.

Aí ele mamou. Aí eu chorei.

E o Pablo mamou muito. Deu tempo de eu parar de chorar, e curtir, e amamentar muito. Meia hora talvez. E depois levaram ele pra limpar, mas trouxeram de volta para pesar, medir, etc. E quando eu vi 4,015 kg eu chorei de soluçar. Vocês não sabem o que é carregar uma bebê pequenininha daquele jeito, ficar um mês na UTI, e depois ganhar um presente de Deus que é um bebê que nasceu criado! Bonzinho, lindo, querido, tranquilo. Bebê de termo. E de parto normal, o fim que eu desejei.

Obrigada, dra. Jussara!

Obrigada, dra. Jussara!

O tamanho do bebê surpreendeu a todos. Rolaram algumas lacerações, mas nada grave. Nada que um chá de algodoeiro não resolva…

Parto normal é uma bênção! Percebi isso quando os enfermeiros me pediram pra trocar de maca assim que eu pari. Bem mais fácil que na cesárea! Depois de umas horas dormindo, já consegui me levantar, tomar banho, etc. Treze dias depois, já estou nova, pronta pra outra! hehehe, brincadeira, mas já consigo fazer bem mais coisas do que quando foi cesárea!

Obrigada, Dri, ops, dra. Adriana! Obrigada de novo!

Obrigada, Dri, ops, dra. Adriana! Obrigada de novo!

E fomos pra casa após um dia e meio. Algo muito especial para quem tem outro filho em casa!

Amor de irmã

Amor de irmã

Bom, acho que a história do parto termina aqui. Agradeço profundamente a Deus pela oportunidade de viver cada história do seu jeito. De acumular essas duas experiências de parto e chegar até aqui contando essa história. De ter infinitamente mais do que pedimos ou pensamos. Aguardem, em breve, novos capítulos da história de Pablo e Maria Teresa.

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21 respostas para O fim que desejei: a história do nascimento do Pablo

  1. Letícia Simões disse:

    Lidia, fomos companheiras de Yoga, e também estou sendo acompanhada pela Dra. Jussara. Nossa história é semelhante, tbm já tenho um filho que nasceu por Cesária. É muito bom ouvir experiências como a sua! Parabéns pela força e também pelo meninão lindo!!! Ainda estou com 29 semanas de gestação. Saúde e muitas alegrias pra vcs!!! :))

  2. norma disse:

    Lidinha muito lindo seu relato , confeço que me emocionou , o mais lindo e ver a bondade de Deus na sua vida . Entrega o teu caminho ao Senhor confia Nele , e Ele satisfará os desejos do teu coração. um bj Tia Norma

  3. Rachel Blank disse:

    Lidia que linda história, que bom parto natural e melhor nada de bebê pequinino né, sabemos como foi dificil há 3 anos atrás, mas agora chegou esse menininho lindo para agregar mais amor a sua família. Beijosss em todos parabéns

  4. Lídia querida, adorei o seu relato. Fico feliz que o Pablo tenha nascido da forma mais natural possível, como você desejou. Que o Pablo tenha muita saúde e que ele traga ainda mais alegria e amor à sua família.
    Beijos

  5. Adriana disse:

    Querida Li,
    Você foi tranqüila, determinada e muito serena todo o tempo. Parto mais lindo de ver! O fim que tanto desejou foi mérito todo seu, amiga, parabéns!!!
    Obrigada por me deixar participar de um momento tão especial com vocês. Está guardado no meu coração!
    Familia linda, Deus guarde vocês, sempre!
    Com carinho, Dri
    PS: ufa, pelo menos doeu menos que 29… rsrsrsrs

  6. Thais Brianezi Ng disse:

    Lindo, Lídia! A gente curte a emoção junto com você. E me dá esperanças de que na segunda gravidez eu consiga ter parto normal. A Bia, apesar de toda preparação, acabou nascendo de cesárea. Mas vou emocionante também – e estou curtindo muito, sem traumas, a delícia da amamentação.

    • lidianeves disse:

      Que bom, querida! Como tenho dito, acho que querer o parto normal é mais importante do que conseguir. E novas oportunidades virão. Curta mesmo a amamentação e tudo o que virá pela frente! Temos muito a viver com esses pequenos, e que bom que estaremos mais perto. Beijocas!

  7. isabelacaldas disse:

    Que lindo! Seja bem vindo, Pablo 🙂
    Ele é muuuuito fofinho!
    Parabéns pela família linda =]~

  8. Julia Dutra disse:

    Oi Lídia, tô com 39 semanas, meu bebê tá previsto pra nascer no domingo agora, e coincidentemente vou ter na Maternidade Brasília também. Você pediu pra não fazerem a episiotomia? Ou a médica mesmo optou por deixar correr sem interferências? Obrigada!

    • lidianeves disse:

      Era opção minha e da médica…
      é bom você ter alguém bem pautado sobre o que você quer no seu parto… pelo menos seu acompanhante e seu médico.
      abs

  9. Daisy disse:

    Queridos Lídia e Daniel,
    gostei muito de ler o relato da Lídia, e poder participação da atuação de Deus na vida de vocês.
    Deus abençoe muito vocês 4.
    Beijinhos,
    Daisy

  10. gabriela disse:

    Uau, Lídia, que surpresa boa e linda! E veja só, o Pablo chegou apenas uma semana antes do nosso segundinho, o Rudá! Fofuras mil… (tem as fotinhos lá no nosso bloguinho).
    Um beijo grande e muito carinho pra nova família que nasce com Pablo!

  11. Kerlay disse:

    Pq sua primeira filha nasceu de 31 sem? Meu primeiro filho nasceu de 36 sem sem qualquer explicação e de cesárea, e estou grávida de 33 sem… confesso que estou apavorada com a possibilidade deste vir antes tbm… desde a semana passada as contrações de treinamento estão mais presentes, apesar de serem indolores e sem perda de muco ou sangue… estou sendo assistida por um médico voltado ao parto humanizado e com ajuda de uma doula maravilhosa, espero que meu segundo baby boy fique bem mais tempo na barriga e que venha num parto humanizado.

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