Pablo, mês 1: como levar um bebê e sua família para os Estados Unidos

Daí o Pablo nasceu e a gincana começou! Hehehehehe.

Já tínhamos visto com antecedência tudo o que era necessário pra viajar com um bebê pros Estados Unidos. Não foi exatamente como planejado, mas só posso dizer que Deus é bom!

A foto que valeu pro passaporte!

A foto que valeu pro passaporte!

O passaporte: este era o primeiro passo! Ou melhor, o segundo. Antes, foi preciso tirar a certidão de nascimento… No quarto dia de vida o Pablo já tinha certidão e foto 5×7 com fundo branco, mostrando as duas orelhas do bebê, de olhos abertos. Tipo missão impossível pra um recém nascido… No dia seguinte, fomos tirar o passaporte no Na Hora (equivale ao Poupa Tempo de SP!). Detalhe: o Na Hora fica na Rodoviária, o terminal de ônibus central de Brasília. O lugar mais sujo que você pode imaginar! Barulhento, totalmente insalubre, ainda mais pra um bebê recém nascido. Ele já tinha tomado as primeiras vacinas na véspera, mas nem tinha dado tempo de elas fazerem efeito!

Existe outro Na. Hora, em Taguatinga, que fica um pouco longe da nossa casa. Mas minha intenção era ir lá, porque, sendo dentro de um shopping, talvez fosse um ambiente um pouco mais limpinho do que o terminal de ônibus… Só que o lugar fez o favor de sofrer um incêndio 15 dias antes do meu parto! Pra completar, todo mundo de Taguatinga foi transferido para ser atendido na Rodoviária…

Na certeza de que é Deus quem cuida e de que o nosso plano tinha a aprovação dEle, fomos com Pablinho pra Rodô.

A orientação, quando você tem pressa de tirar um passaporte, é de preencher a papelada e ir direto no Na Hora (ou no posto da Polícia Federal que faz passaporte onde você mora). Eles podem te fazer um passaporte de emergência (à mão), de urgência (vem da casa da Moeda via Sedex) ou normal (vem no malote, demora cerca de 8 dias úteis).

O supervisor que decide qual seria o nosso caso estava em reunião e pediu para um dos policiais decidir. Contamos o nosso caso pra ele, e ele decidiu que poderíamos ser atendidos, mas seria um passaporte normal. Explicamos que ainda precisaríamos fazer um visto americano mais burocrático que o normal (explico pra vocês abaixo), que eu tava recém operada, que era caso de compromisso no exterior, que o bebê tina 5 dias… E nada. O máximo que ele falou foi: “volta amanhã se quiser ser atendida por outra pessoa. Hoje tá muito cheio”.

Nem pensar, voltar amanhã com meu bebê! O cara ainda sugeriu que eu chegasse às 7h! Impossível pra uma recém parida com outra filha pra levar na escola! O cara não teve nenhuma sensibilidade, acho que ele nunca conviveu com um bebê de perto, não sabe o trabalho que dá!

Mas pelo menos ele nos atendeu. Ficou achando que o passaporte era pro meu marido. Perguntou quantos ANOS o Pablo tinha. Parece doido. Ou não ouviu nada do que eu falei…

Mas beleza, 6 dias depois tínhamos o passaporte em mãos pra tirar o visto americano.

O visto

Meu marido tem visto de estudante (J-1) e eu e as crianças, de acompanhantes. Desde o princípio, sempre informamos que o Pablo iria nascer. Mas, um mês antes, vimos que na documentação para visto entidade que deu a bolsa pra ele só constavam 2 dependentes. Quando tivéssemos o passaporte, teria que fazer outra carta e só aí tirar o meu visto e o das crianças.

Quando entregamos o número do passaporte do Pablo, depois de uns 12 dias de nascido, soubemos que a nova carta para o visto teria que vir de Washington. E como o visto do Dani dizia que ele tinha 2 dependentes e estava vinculado à tal carta, ele teria que trocar também… Quer dizer, ele até podia entrar nos Estados Unidos com o visto que ele tinha, mas isso sigmificaria ir sem a gente, e depois poderia demorar pra gente conseguir ir… Nossa opção foi ir todo mundo junto.

Nossa entrevista tava marcada pra uma semana e meia antes da viagem. Mas a carta não chegou e a cônsul americana não aceitou cópia da carta, só original. O problema é que essas entrevistas só acontecem ás terças-feiras. E viajaríamos na outra quarta.

O que não tem solução solucionado está! A cônsul se comprometeu a nos entregar o visto na quarta, a tempo de viajarmos. Como sabíamos que viajar com crianças é uma complicação só, adiamos nosso voo em um dia (obrigado, TAM, que mudou o nosso voo em 15 minutos e, com isso, pudemos fazer essa alteração sem gastos! Obrigada, Deus, por mais essa!).

Fomos lá, fazer entrevista. E a entrevistadora do consulado pediu uns documentos que não estavam no script (certidão de casamento nossa e de nascimento das crianças — fica a dica! Leve todos os documentos imagináveis pra uma entrevista de visto americano!).

Corre pra casa, escaneia os documentos e manda por e-mail? Não! Acabou a luz! Faz isso tudo do seu celular, então! Antes que acabe a bateria! E reza, porque ninguém te diz se deve rolar ou não.

E assim, o visto chegou às nossas mãos na quarta-feira, uma hora antes do voo previsto inicialmente. Ou seja, uma hora depois do nosso check in. Ou seja, ainda bem que já tínhamos trocado a passagem.

E em meio a tudo isso…

* foi o primeiro mês do Pablo, com direito a duas consultas no pediatra, vacinas e afins… E crescendo loucamente! Em um mês, perdeu as roupas RN e as P! Graças a Deus o Pablo é bem tranquilo desde que nasceu, dorme bastante, mama rápido, fica bem no berço, no sling, não faz tanta questão de colo ( sim, na minha visão, isso é coisa do bebê… Porque fiz as mesmas coisas com meus dois filhos e algumas funcionam mais com o Pablo que com a Teresa, e vice versa).

Nosso recém-nascido!

Nosso recém-nascido!

Com uns 20 dias de vida, ele começou a ter cólicas por causa do meu consumo de lactose, então tive que cortar tudo, mas não chegou a durar um mês! Com um mês e meio de vida dele, já tinha passado, só continuei evitando cafeína em excesso.

* recebemos mais de 60 visitas que vieram dar carinho pra nós, especialmente pra Tetê, que morre de saudades de todos vocês. Foi muito importante ser abraçados por vocês! Toda presença e toda ajuda foram muito bem vindas! E pra quem não conheceu o Pablo ainda, novas oportunidades virão…

* apresentamos o Pablinho na igreja, com 20 dias, e nos despedimos dos amigos de lá…

Abençoado!

Abençoado!

* Tivemos 8 hóspedes (nossa família, que tanto nos ajudou! Super obrigada pra minha mãe e pros meus sogros que seguraram a onda e inclusive o serviço doméstico, porque…)

* nossa ajudante estava com pedras nos rins e ficou praticamente um mês sem trabalhar. Mas quando voltou, segurou o rojão forte, porque…

* durante a nossa ausência, tá rolando uma obra no nosso apartamento, então tivemos que deixar TUDO da casa devidamente empacotado (menos a cozinha! Ufa!)

Tetê e as malas que não fecham! Olhem a de trás! risos

Tetê e as malas que não fecham! Olhem a de trás! risos

* Preparamos as malas: no total, foram 9 volumes! Comecei a fazer as malas com 15 dias de antecedência, e foi ótimo! Eram muitas coisas pra pensar ao mesmo tempo!

* Meu marido se qualificou no doutorado. Ele tinha entregado a qualificação pra banca na véspera do parto! Mas ainda era necessário fazer a apresentação, ensaiar (adivinha quem deu os pitacos no ensaio? Eu!), mudar tudo, comprar uns quitutes… Ainda bem que nossa amiga Bianca estava por lá pra arrumar as comidas bem bonitas…

A apresentação do Dani foi ótima, ele mandou super bem, foi elogiado pela banca…

Eu fui com o Pablo e falei pra ele assim: “filho, se os professores começarem a maltratar o papai, você faz aquele seu barulhinho de coçar a garganta pra eles darem uma aliviada! Foi só o primeiro professor da banca começar a falar que o Pablo começou a coçar a garganta! “não, filho, tá tudo bem, ele tá ajudando o papai!” Conclusão, assisti mais ou menos à banca… Rs.

Avós Neves dando uma força!

Avós Neves dando uma força!

* A minha irmã, que felizmente não pariu no mesmo dia que eu, estava gravidíssima, querendo um parto normal, esperando ansiosamente pela chegada do primeiro filho dela, meu primeiro sobrinho de sangue. Lá em São Paulo. E minha mãe queria estar no parto, mas aí mesmo tempo queria ficar com a Tetê um pouco, ajudá-la a passar por tudo isso. E meus sogros precisavam vir pra Brasília nos ajudar. Finalmente decidimos que, quando Pablo completasse uma semana e minha irmã já estivesse com 38 de gestação, era hora de minha mãe ir embora é meus sogros virem pra Brasília.

Avós Hora dando outra força!

Avós Hora dando outra força!

No dia planejado, meus sogros chegariam no almoço e minha mãe iria embora no final da tarde. Aí minha mãe foi buscar meus sogros no aeroporto. Enquanto isso, minha irmã me liga e diz que acha que está em trabalho de parto. Minha mãe queria muito estar no hospital quando o Timoteo nascesse, porque no parto da Tetê não deu tempo de ela chegar e no do Pablo, ela tava com a Teresa. Minha irmã ainda não tinha certeza de que era o momento, mas estava com contrações ritmadas, intervalo de 10 minutos. Eu achei melhor contar logo, porque precisávamos ter tempo hábil pra adiantar as passagens e etc… Adiantamos o voo da minha mãe numa operação emocionante! Acabamos conseguindo um voo ainda mais barato que o previsto inicialmente, minha mãe chegou 3 horas mais cedo em São Paulo, mas… O trabalho de parto parou.

* O meu sobrinho Tintim nasceu mais de uma semana depois, de parto normal com ocitocina igual ao meu, narrado a cada no máximo meia hora pelo meu cunhado e minha mãe, uma emoção só! Muita alegria pensar a amizade forte que ele e o Pablo podem ter! Ah! E eles são um pouco parecidos, então isso quer dizer que o sobrinhinho deve ser parecido comigo também! Hihihi. Ah, sim. Importante dizer: minha mãe estava no hospital!

Oi, eu sou o Timoteo. Minha tia Lidia acha que eu sou a cara do Pablo!

Oi, eu sou o Timoteo. Minha tia Lidia acha que eu sou a cara do Pablo!

* a Tetê levou uma vida normal até a véspera da viagem. O que inclui ir pra escola todo dia (ela só quis dois dias de “férias” quando o Pablo nasceu), participar da mostra de artes da escola, fazer ballet, brincar com os amigos do prédio, ir à igreja, tentar convencê-la de ir pra cama antes das 23h…

Tetê e professora Dani na mostra de Artes, com o trabalho ao fundo

Tetê e professora Dani na mostra de Artes, com o trabalho ao fundo

Não sei se vocês se lembram, minha filha é ansiosa… Então eu e o Dani decidimos incentivá-la a falar inglês que nem a Dora Aventureira e o papai, com antecedência, e só. As professoras dela da escola sabiam desde junho que nós iríamos viajar em setembro, e com pouco mais de uma semana de antecedência, todos nós começamos a falar com mais intensidade sobre a nossa casa nova, que teríamos que pegar avião…

* Aí, no último dia de escola, levamos o Pablo para conhecer os amigos da Tetê na escola. Desde que ele nasceu, a Teresoca convidava diariamentes os amiguinhos e seus pais para irem lá em casa conhecero Pablo. E como na escola eles tiveram um projeto “estou crescendo”, casou bem a visita do primeiro de três irmãozinhos que nasceu.

Catarina, Dani com Pablo no colo, Tetê com Robertinha no colo (a boneca!) e Isadora. As grandes amigas!

Catarina, Dani com Pablo no colo, Tetê com Robertinha no colo (a boneca!) e Isadora. As grandes amigas!

Assim, com um mês de vida, o Pablo passeou no colo de todos os amigos da irmã e matou a criançada de amores. Aproveitamos e cantamos parabéns pra Tetê, que completaria 3 anos dentro de 5 dias. Foi o ano das 4 festas de aniversário (chá e parabéns em SP, depois em Brasília, depois na escola, depois em San Diego, na data…). Conclusão: Tetê jura que tem 4 anos!

* Além de tudo isso , como qualquer mulher recém parida, eu precisava descansar, dormir, me cuidar, ir ao médico… Considerando que nosso plano de saúde nos Estados Unidos não cobre pós parto (para cobrir, sairia 10 vezes mais caro. E o Obama Care estava praticamente para entrar em vigor, agora já tenho cobertura… Mas não pretendo precisar!). De novo, obrigada Deus pelo parto normal!

* Tínhamos ainda que contratar convênio médico pra mim e pras crianças nos Estados Unidos, alugar apartamento, comprar dólares, tentar ver carro, fazer contato com a universidade… Tivemos a super ajuda da família da Clara (Selih, Roger e Hilse), que facilitaram muito a nossa chegada em San Diego!

* e ainda fechar ciclos no Brasil: Suspender convênio, telefone, escola, contrato com a empregada, vender algumas coisas, e ainda emprestar carro, apartamento, plantas… Graças a Deus temos amigos presentes em todas essas áreas…

Somos muito gratos porque nossos pais puderam nos ajudar durante esse mês; porque a Flavia ficou conosco até depois de irmos embora, arrumando tudo pra reforma; e pela ajuda que recebemos em San Diego. Temos plena consciência de que, sem vocês, toda essa aventura não teria sido possível!

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11 respostas para Pablo, mês 1: como levar um bebê e sua família para os Estados Unidos

  1. Clara Miranda disse:

    UFA!!! Que lindo!! Mão de Deus ajudando para que tudo corresse bem. Aproveitem!!

  2. Adélia Soares disse:

    Emocionante a vida! Mesmo sem um contato tão próximo, fico torcendo por suas conquistas e feliz por vê-los felizes!!!! Que Deus ilumine a vocês quatro!!!! Espero conhecer o Pablo quando voltarem….. Beijos!

  3. Lia disse:

    Caraca, Lidia… não tinha nocão da aventura. Espero que agora tudo esteja só curtição e que vc tenha seu resgaurdo merecido.
    p.s.: finalmente acabou a bateria do cachorro da Tetê, justo agora que Margarida tinha perdido o medo

    • lidianeves disse:

      é… tô publicando o próximo… e qualquer hora escrevo sobre a minha condição de pós parto!
      hehehehehe

      Mas resumindo: tá bom, agitado, do jeito que eu gosto.

      beijos!

  4. Camila disse:

    Oi Lídia,
    Procurando informações sobre passaporte para recém nascidos encontrei seu post. Vou precisar tirar o passaporte do meu filho assim que ele nascer e fiquei com uma dúvida. Você conseguiu agendar com facilidade na polícia federal?
    Obrigada

    • lidianeves disse:

      Oi Camila! Assim que ele nascer, vc tira a foto (com fundo branco, 2 orelhas à vista e olhos abertos), tira a certidão de nascimento, cpf e inclui os dados no site da pf, como se fosse agendar. Aí vc vai na pf e pede pra fazer um passaporte de urgência ou emergência. Dependendo da sua necessidade, eles só te passam na frente ou mesmo fazem o passaporte à mão. Bjs

  5. Camila disse:

    Obrigada, Lídia. Vou fazer isso. Dá uma dó levar tão pequeno na rodoviária,né? Também moro em Brasília e sei como lá é um caos.

  6. Etienne Nunes disse:

    Nossaaaaa! To gravida de 3 meses, e tambem viajarei pros estados unidos pro marido estudar antes do meu bebe completar um mes! Consolador ver que deu tudo certo pra vc! Adorei seu blog!

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