A aventura sob o olhar da Teresa: irmã e bilíngue

Já se passaram três meses e meio da nossa aventura na Califórnia. Para ser mais precisa, a metade da viagem aconteceu no dia 20 de dezembro, meu aniversário. Como você pode imaginar, tem uma dúzia de posts que eu gostaria de escrever, todos recheados de fotos e vídeos, mas a realidade é dura e a gente posta é de madrugada mesmo, então, aceite esse post como se fossem outros 12!

Estamos bem por aqui. Pablo continua crescendo bem, desenvolvendo fantasticamente. Estava louco por comida e então a gente voltou a tentar introduzir a alimentação, aos 4 meses e meio — o que foi bastante conveniente para a nossa família, pois assim ele pode ficar mais com o Dani e eu saio mais com a Tetê. Agora — e até os 6 meses — serão 2 refeições por dia: de manhã, mingau de aveia, leite materno e fruta; à tarde (17h), legumes. Já provou banana, morango, maçã, ameixa, batata doce vermelha, abóbora spaguetti, couve, espinafre, salsinha… e ataca minhas comidas de vez em quando. Por exemplo: meu hamburguer. Acabou comendo um pedaço do pão.

O Pablo adora brincar com a Teresa, principalmente de balão. Mas também de brinquedos dele, bonecas dela, qualquer coisa que pintar pela frente. Adora ir no colo da irmã, brinca de mamar nela, conversa com ela. Uma loucura. Eu fico achando que ser irmã é algo melhor do que minha memória alcança.

Mas não foi sempre assim, não. Na verdade, no começo (e principalmente depois que minha mãe foi embora), a Tetê estava meio ogra com o Pablo. Sempre queria pular na cama quando ele estava (de preferência, bem perto da cabeça dele) e era só a gente falar pra ela não fazer uma coisa que ela ia lá e fazia. Foi duro. Mas a gente foi conversando, brigando, demonstrando amor, conversando sobre o que ela estava sentindo…. Tentando também organizar a vida dela pra ela se sentir mais segura… e a coisa foi melhorando.

É muito amor! (Pablão com 4 meses e uma semana)

É muito amor! (Pablão com 4 meses e uma semana)

Na medida em que o Pablo começou a interagir mais, ela foi acreditando no amor dele e a coisa ficou mais interessante por aqui. Agora ela é uma das principais intérpretes do que ele quer, e eu fico imaginando que daqui a pouco eles vão dispensar a mim e o Dani… Ela até falou outro dia: “mamãe, quando eu e o Pabo for gande, vocês podem ficar aqui e a gente vai sair só nós dois, tá bom?”.

Tetê na 17-mile-drive (Pacific Grove)

Tetê na 17-mile-drive (Pacific Grove)

A verdade é que, de todo esse processo de adaptação, quem mais sofreu foi a Tetê. Primeiro, com a chegada do irmão. Segundo, de saudade de Brasília. Ela tem uma memória incrível. Lembra de todos os amigos, fica falando deles, fazendo planos de encontrar. Fica doida pra falar com eles no computador (mandou e recebeu alguns recados por Whatsapp e Skype, ela adora!). Ela lembra também dos brinquedos que ficaram em Brasília (roupa, não ficou quase nenhuma). Ainda bem que eu fiz a mala de brinquedos com ela! Foi ela que escolheu!

E terceiro, ela sofreu bastante também para aprender inglês, especialmente no começo. Deduzi que ela é perfeccionista que nem o Dani. Tentamos, ainda bem Brasília, contratar uma professora particular para ensinar inglês, já que na escola dela eles só ensinam a partir dos 3 anos. Mas só conseguimos um esquema que coincidia com o ballet, e ela estava feliz de ser bailarina, então, como todo mundo falou que seria tranquilo o aprendizado, deixamos para aprender por aqui. No Brasil, ela só ficou sabendo que existia o inglês, e que a mamãe, o papai e a Dora Aventureira falavam inglês.

Bom, ainda quando minha mãe estava aqui em San Diego, no primeiro mês, a Tetê estava sofrendo muito por não conhecer nenhuma criança (“mamãe, quem são meus amigos em San Diego?” — e eu respondia: tia Selih, tio Roger e tia Hilse, os tios-avós da minha amiga que eram nossos únicos conhecidos por aqui). Aí a gente resolveu matricular ela na escola, matriculamos na pré-escola da igreja que frequentamos, para ser uma adaptação só.

A adaptação de verdade começou depois que minha mãe foi embora, porque passeamos pra valer com ela nos últimos dias. Nós achamos que íamos ficar na porta da sala até ela se adaptar, porque a diretora tinha dito que seria ok. Mas a professora achou melhor a gente sair do campo de visão. E a Tetê chorou horrores quando percebeu que não estávamos à vista. Acho que ela chorou demais, porque ficou traumatizada e depois só quis ficar na escola com a gente dentro da sala.

Na verdade, na sala dela, das outras sete crianças, um dos meninos é russo. E a mãe dele fica dentro da sala (traduzindo). E eu acho que a Tetê sacou, e quis a gente lá dentro também. O Dani que estava indo até o final do ano passado, mas agora com o Pablo comendo, eu tiro leite (e ele toma na mamadeira, bico natural pra não confundir com o peito) e vou com a Tetê. Agora a professora quer tirar os pais de dentro da sala, aos poucos. No último dia, a Tetê já ficou uns 50 minutos não consecutivos sem mim (2 choros no meio do caminho, mais a decisão de voltar lá pra dentro).

A gente acha que ela ficou insegura por não saber falar inglês. Chegou a um ponto que ela não queria mais nem ir ao parquinho (até chegamos a encontrar uns brasileiros, mas as meninas eram mais velhas, não quiseram emprestar uma boneca especial pra Tetê, ela ficou complexada por ser pequena).

Mas apesar de tudo isso, ela já aprendeu bastante inglês, e adora. Ela ama assistir a Vila Sésamo e outros desenhos fantásticos, na PBS (TV Pública daqui) e no Sprouts, canal voltado pras crianças.

Mas uma das coisas mais importantes para isso é um playgroup que tem no International Center da universidade (UCSD), com as aulas “Mom and Me”. A gente vai com as crianças, elas interagem com crianças de outros países,  cantam músicas em inglês. São 3 professoras — uma sul-coreana, uma americana e agora tem uma nova, francesa. A Teresa ama a Ayehang, sul-coreana. A Teresa adora ir ao “trabalho” do papai. E foi lá também onde ela conheceu duas amiguinhas, ambas de 6 anos: a Olivia, americana, e a Sofia, brasileira.

Dezembro foi um mês importante na virada da Tetê aqui, inclusive pela presença do Cícero, colega de profissão do Dani do Brasil, e sua família, que virou uma família amiga. Ele veio a trabalho com a esposa, Jane, e os dois filhos, Joca (10 anos) e Cecília (6 anos). Nos encontramos muitas vezes nesse mês, as crianças se adoraram (Pablo inclusive), e nós também adoramos eles. A Tetê ouviu as histórias de adaptação das crianças, acho que ela se sentiu mais amparada, mais pertencente a este lugar chamado San Diego, ou mais especificamente, La Jolla.

Emendamos com meu aniversário; Natal, onde, além de estarmos com a família da Clara, estivemos também com a família da Denise Rosa (que também tem uma filha querida e grande, a Julia, de uns 8 anos), o que ajudou a preencher nossos corações — e mais os presentes da família do Brasil, da de cá, do papai Noel; e ano novo, em que fizemos uma viagem inesquecível para San Francisco (com direito a alguns encontros com a Sofia e sua querida família: Cida, Jonas e os filhos jovens, Tomás e Thales).

Nós e os elefantes do mar em San Simeon

Nós e os elefantes do mar em San Simeon

Além de conhecer San Francisco, fizemos a viagem de carro, pela costa da Califórnia. Visitamos Santa Monica, Santa Bárbara, Cayucos, San Simeon, Big Sur, Carmel, Monterey, Pacific Grove (e a famosa 17-mile-drive), San José. Visitamos aquário, missão, parquinho, parque, praia, museu de criança, biblioteca, castelo, museu de adulto, píer, pôr-do-sol, bichos do mar, restaurantes (muito macarrão e batata frita pra Teresa, numa terra em que quase tudo é picante!). Viramos fãs da Califórnia, esse lugar tão hispânico, tão mexicano das Américas!  E ficamos mais próximos, mais sintonizados, mais preparados para sermos uma família de quatro pessoas. A Teresa voltou da viagem mais segura, falando mais inglês, brincando com as crianças no parquinho, topando o desafio de ficar sem a gente na sala de aula. E agora, às vezes ela diz que não quer voltar pra Brasília. Se tornou cidadã de dois lugares.

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Em viagens prévias, tínhamos explorado bastante Los Angeles, com direito a almoços fantásticos para bolsistas da Fulbright em Malibu e Santa Monica. E tínhamos conhecido a Disney e a Universal Studios. Um mergulho no mundo da fantasia, com encontros, abraços e autógrafos na Minnie, Mickey, Margarida, Donald, Pluto, Dora Aventureira, Shrek… A Tetê foi na Disney vestida de Branca de Neve e, durante o desfile no parque, recebeu acenos e beijos da Branca de Neve original e de todas as princesas! Foi um desbunde! Inesquecível! Eu j-a-m-a-i-s imaginei que poderia ser tão legal para uma criança de 3 anos visitar especialmente a Disney. Mas ela amou.

Nós e a Minnie. Pablo com um mês e meio. Foto preferida da Teresa

Nós e a Minnie. Pablo com um mês e meio. Foto preferida da Teresa

Fora isso, passeamos bastante por San Diego — depois que minha mãe foi embora, os passeios se restringem aos fins de semana ou às visitas ilustres: Sea World, Zoológico, Balboa Park, Children’s Museum. Além do Cícero, Jane e cia., tivemos a Thais Peres, uma amiga da igreja de SP, e em breve teremos 2 visitas da família! Estamos super animados!

E os adultos?

Eu e o Dani ficamos totalmente consumidos por essas coisas da vida que tomam tempo e que muitas vezes não levam a lugar nenhum, mas que é necessário passar por elas: arrumar a casa, limpar, cozinhar. Planos familiares para casos de terremotos (sim, tem isso por aqui…) .Ah, e cuidar das crianças, algo que dá futuro e nos toma o tempo todo. Cada vez mais a Tetê ajuda em todas essas tarefas, e topa que as façamos quando estamos com ela, o que facilita. No começo ela não entendia essa dinâmica.

Também gastamos bastante tempo para entender como algumas coisas funcionam por aqui, acho que a mais difícil é a questão dos planos de saúde. Quando a gente achou que tinha entendido tudo e que o plano estava cobrindo todos os nossos gastos, chega uma fatura de 1.700 dólares pra pagar! O sistema de saúde aqui é realmente muito confuso, complicado… que saudade do Brasil, seja no SUS ou no convênio.

Agora a gente já está mais por dentro das coisas, e com o Pablo maior, nosso foco principal é que o Dani consiga se concentrar nos estudos, o que foi difícil no começo. A experiência tem sido boa para ele fazer contatos, acompanhar umas disciplinas e ter ideias para fazer nas aulas no Brasil.

Da minha parte, meu objetivo principal é apoiar minha família, já que estou de licença maternidade e o Pablo precisa tanto de mim neste momento. Mas com isso bem resolvido, sou muito grata por essa vivência e também pela oportunidade de aprimorar meu inglês. Acho que ganhei uma certa fluência. Mas para ter certeza, estou fazendo umas aulinhas particulares agora, pra tirar umas dúvidas e parar de dar aquela engasgada. Tá sendo bem bacana…

Temos poucos amigos por aqui, na verdade, de americanos, eu tenho só uma amiga que não é da família da Clara! Risos. Isso foi um pouco difícil no começo, aceitar que eu não levaria amizades daqui, mas agora eu já me acostumei. Hehehehe. Tenho amigos brasileiros, essa uma amiga e pronto. Valeu.

Importante dizer também que todos nós ficamos um pouco deprimidos quando o horário de verão acabou por aqui, em novembro, e o sol passou a se por às 17h. Mas essa parte já passou. Nos sentimos extremamente gratos por estar num lugar em que diariamente os termômetros atingem 20 graus celsius positivos, enquanto tem outros lugares embaixo de neve, batendo recordes de frio! Para tirar onda de verdade, nos últimos dias chegamos a 25 graus e fomos até à piscina do condomínio!

Temos alguns micos para contar, mas esses ficarão para um post especial… porque merecem!

Califórnia, um lugar pra enjoar de por do sol! (esse aí foi em Big Sur!)

Califórnia, um lugar pra enjoar de por do sol! (esse aí foi em Big Sur!)

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4 respostas para A aventura sob o olhar da Teresa: irmã e bilíngue

  1. Esther Carrenho disse:

    Amei seu texto. Cheio de gente e de vida! Tocou-me muito!!!

  2. Eliana disse:

    Sempre bom saber noticias de vcs quatro! Essa aventura ficará nos corações de vcs pra sempre, e de ” quebra” todos votarão dominando o inglês!!
    Deus continue a abençoá-los, principalmente nesta tarefa maravilhosa de ser pais
    beijos
    Tia Eliana

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